Resenhas:

[RESENHA] A Hora da Estrela - Clarice Lispector



Olá leitores!
Como vocês estão?
Hoje trago para vocês minhas impressões sobre o livro A Hora da Estrela, último livro escrito em vida pela Clarice Lispector.


DESAFIO LITERÁRIO 55 LIVROS: 10 - Um livro que você termine em um dia

SOBRE O LIVRO: Último livro escrito por Clarice Lispector, "A hora da estrela" é também uma despedida. Lançada pouco antes de sua morte em 1977, a obra conta os momentos de criação do escritor Rodrigo S. M. (a própria Clarice) narrando a história de Macabéa, uma alagoana órfã, virgem e solitária, criada por uma tia tirana, que a leva para o Rio de Janeiro, onde trabalha como datilógrafa.


Em "A hora da estrela" Clarice escreve sabendo que a morte está próxima e põe um pouco de si nas personagens Rodrigo e Macabéa. Ele, um escritor à espera da morte; ela, uma solitária que gosta de ouvir a Rádio Relógio e que passou a infância no Nordeste, como Clarice. Na Dedicatória do Autor, um pequeno texto que introduz a história propriamente dita, a autora dedica a obra e ela própria à música de Schumann, Beethoven, Bach, Chopin, Stravinsky, Richard Strauss, Debussy, Marlos Nobre, Prokofiev, Carl Orff, Schönberg e outros "que em mim atingiram zonas assustadoramente inesperadas".



A despedida de Clarice é uma obra instigante e inovadora. Como diz o personagem Rodrigo, "estou escrevendo na hora mesma em que sou lido". É Clarice contando uma história e, ao mesmo tempo, revelando ao leitor seu processo de criação e sua angústia diante da vida e da morte.



Macabéa, a nordestina, cumpre seu destino sem reclamar. Feia, magra, sem entender muito bem o que se passa à sua volta, é maltratada pelo namorado Olímpico e pela colega Glória. Os dois são o seu oposto: o metalúrgico Olímpico sonha alto e quer ser deputado, e Glória, carioca da gema e gorda, tem família e hora certa para comer. Os dois acabam juntos, enquanto Macabéa, sozinha, continua a viver sem saber por que está vivendo, sem pensar no futuro nem sonhar com uma vida melhor. Até que um dia, seguindo uma recomendação de Glória, procura a cartomante Carlota, uma ex-prostituta do Mangue, que revela a Macabéa toda a inutilidade de sua vida. Mas também enche-a de esperança, prevendo a paixão por um estrangeiro rico, com quem ela iria se casar.



Ao sair da casa da cartomante, num beco no subúrbio carioca de Olaria, ainda atônita com o que ouvira, Macabéa tenta atravessar a rua, mas é atropelada por um Mercedes. Estirada na paralelepípedo, com curiosos à sua volta, pronuncia suas últimas palavras – "quanto ao futuro" –, também um dos vários títulos de A hora da estrela.



A morte de Macabéa é também a morte de Clarice. Incorporada ao escritor Rodrigo, a autora diz: "Macabéa me matou. Ela estava enfim livre de si e de nós. Não vos assusteis, morrer é um instante, passa logo, eu sei porque acabo de morrer com a moça."



"A hora da estrela", como os demais títulos de Clarice relançados pela Rocco, recebeu tratamento gráfico e passou por rigorosa revisão de texto, feita pela especialista em crítica textual Marlene Gomes Mendes, baseada na primeira edição do livro.






A Hora da Estrela foi escrito por Clarice, pouco tempo antes de sua morte e o primeiro livro que li dela.
A história é narrada por seu alter-ego Rodrigo S.M, um escritor que não se considera bom o bastante. Durante a primeira parte do livro o autor fala um pouco sobre si e um pouco sobre sua admiração pela nossa personagem. Ele nunca cita de onde a conhece, mas sente a necessidade de falar sobre ela. 
Macabéa é uma nordestina que migra para o Rio onde arruma emprego de datilógrafa. Não possui atrativos físicos, não é bonita muito menos inteligente. Vive uma vida miserável, mas é completamente alienada de sua própria penúria, sequer tem consciência do quanto sua vida é medíocre.
Ela é tão desimportante que seu nome só é revelado quando a história já está avançada. Seu nome não importa, ela não importa. Ela também não faz questão em dizê-lo, pois prefere não ser chamada a se chamar Macabéa.
Não possui amigos nem família, nem um emprego onde lhe deem valor. Mas ela aprende que tem que ser feliz e assim ela é, embora não tenha nenhum motivo. Ela apenas o é.
No fundo Macabéa é oca, lhe falta malícia para melhorar de vida. Lhe falta coragem para sonhar com um futuro melhor.
Seus dias se arrastam numa mesmice sem importância, onde nem Macabéa é a personagem principal de sua própria vida.
Em muitos momentos senti raiva dela, por se deixar levar por essa vida tão ordinária, em outras tive vontade de acalenta-la e dar-lhe alguma dignidade.
Torci com todas minhas forças para que Rodrigo desse a ela alguém que lhe cuidasse, que não se aproveitasse de sua boa fé.
Mas como isso aconteceria se Macabéa é invisível ao mundo?
Lendo este livro me perguntei quantas Macabéas existem por aí, invisíveis aos nossos olhos?E quantas vezes também fui Macabéa, sem percepção de mim?
Mais do que cuidar dela, tive vontade cuidar de mim e melhorar e lutar.
O autor deixa claro no começo da história a simplicidade da história, e assim o é. No entanto, entendo a necessidade que Rodrigo sente em conta-la,pois foi a mesma que senti em lè-la.
Macabéa não tem a menor noção da pobreza que a cerca, mas nos faz ter noção da nossa própria efemeridade.
O ápice acontece quando ela percebe seu desamparo, quando lhe tiram o véu que a impede de enxergar a verdade. Me encheu os olhos de lágrimas, pois não é fácil perceber que não é feliz, que sua vida não é aquilo que se imagina. 
Nesse momento ela deixa de ser quem é e se da conta de que não é nada e recebe o melhor presente que alguém lhe pode dar: a chance de mudar sua vida.
"Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho. Assim como havia sentença de morte, a cartomante lhe decretara sentença de vida ."
Me senti mal por todas injustiças . Que morresse e virasse estrela!
Pensei em tantas possibilidades para o fim de sua história, mas acho que Rodrigo escolheu o mais simples para uma vida simples.
Talvez Macabéa seja cada um de nós. Talvez Macabéa seja invisível.

"Este é um melodrama?O que sei é que melodrama era o ápice de sua vida, todas as vidas são uma arte e a dela tendia para o grande choro insopitável como chuva e raios."

CLASSIFICAÇÃO: 









Título: A Hora da Estrela
Autor: Clarice Lispector
Editora: Rocco
Páginas: 88
Ano: 1998
Gênero: Drama
ISBN: 139788532508126 
Saiba mais: Skoob

Onde Comprar: 
 

4 comentários:

  1. Eu tenho um caderno com vários quotes da Clarice Lispector, mas não li um livro se quer dela. adorei esse, vou anotar a dica bjs

    Taynara Mello www.indicarlivros.com

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  2. Olá, ainda não li nenhum livro da Clarice mas tenho curiosidade em conhecer suas obras, já vou deixar anotado esse.

    www.mundofantasticodoslivros.blogspot.com

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  3. Great post dear

    Would you like follow each other? :)
    http://theloth.blogspot.com/

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  4. Olá, tudo bem? Adorei a resenha! Nunca li nada da Clarice, mas tenho vontade...

    Beijos,
    Duas Livreiras

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